Nova versão do GRPRO, que será lançada em agosto, aposta em um conceito de “Inteligência Executiva”, no qual gestores deixam de operar sistemas e passam a tomar decisões por meio de conversas em linguagem natural.
Durante quase quatro décadas, a evolução dos softwares de gestão aconteceu de forma incremental. Os sistemas ganharam novos módulos, interfaces mais amigáveis, recursos de Business Intelligence e, mais recentemente, inteligência artificial capaz de interpretar dados e responder perguntas. Apesar dos avanços, um elemento permaneceu praticamente inalterado: a necessidade de que alguém acessasse o sistema para encontrar informações e dar início às ações.
É justamente esse paradigma que o GRPRO pretende desafiar com a nova geração de sua plataforma, cujo lançamento está previsto para 28 de agosto. Em vez de ampliar a quantidade de funcionalidades disponíveis, a empresa aposta em uma mudança na própria relação entre gestores e tecnologia.
A proposta é substituir a lógica do software como ferramenta de consulta por uma arquitetura capaz de interpretar informações, executar processos e entregar respostas prontas para a tomada de decisão.
A companhia chama esse modelo de Inteligência Executiva. Na prática, trata-se de uma plataforma que combina inteligência artificial, automação e integração entre sistemas para reduzir a necessidade de interação direta com o software. Segundo a empresa, a expectativa é que grande parte das atividades operacionais deixe de depender da ação humana, permitindo que gestores concentrem seu tempo em decisões estratégicas.
“O mercado evoluiu muito na capacidade de gerar informação, mas pouco na capacidade de executar. Criamos sistemas que respondem perguntas, mas continuam esperando que alguém faça o trabalho. Nossa visão é que a próxima geração de softwares será medida pela capacidade de agir, e não apenas de informar”, afirma Etiene Rocha, CEO do GRPRO.
Essa mudança aparece em diferentes frentes da plataforma. Uma delas é um mecanismo que a empresa define como um “Copilot Ativo”. Diferentemente dos assistentes virtuais tradicionais, que respondem quando acionados, a tecnologia monitora continuamente a operação da empresa, interpreta indicadores e executa automaticamente ações previamente autorizadas, como iniciar fluxos de atendimento, distribuir tarefas, integrar sistemas ou acionar equipes responsáveis.
Outra aposta está na transformação da inteligência artificial em uma ferramenta de produção de conhecimento organizacional. A nova versão será capaz de elaborar procedimentos operacionais, materiais de treinamento, diagnósticos, cursos internos e documentos técnicos a partir das informações já existentes na empresa. A intenção é reduzir a dependência do conhecimento individual e acelerar a padronização de processos.
A área financeira também passa por mudanças. Em vez da troca de arquivos OFX e CNAB — prática presente na rotina corporativa há décadas — a plataforma utilizará integrações diretas com instituições financeiras que disponibilizam APIs, eliminando etapas manuais e aproximando a gestão financeira de um modelo em tempo real.
Outra funcionalidade apresentada pelo GRPRO busca resolver um problema comum às empresas: transformar reuniões em execução. A plataforma incorpora transcrição nativa por inteligência artificial e, ao final de cada encontro, produz automaticamente atas, identifica decisões tomadas, distribui tarefas entre os responsáveis e registra todas as informações no CRM, no funil comercial ou em outros módulos relacionados.
Mas é na forma de interação com o sistema que a empresa acredita estar promovendo sua principal ruptura. Em vez de acessar relatórios e navegar por diferentes telas, o gestor poderá consultar a operação diretamente pelo WhatsApp. Perguntas como “quais clientes apresentam maior risco de cancelamento?”, “qual unidade teve melhor desempenho nesta semana?” ou “quais projetos estão atrasados?” serão respondidas em linguagem natural, acompanhadas de análises e, quando autorizado, da execução automática das ações necessárias.
Para Rocha, a mudança representa uma evolução semelhante àquela provocada pelos smartphones na forma como as pessoas interagem com a tecnologia. “Nossa hipótese é que o software deixará de ser o lugar onde o gestor trabalha. A gestão acontecerá onde o gestor já está, e hoje esse lugar é o WhatsApp. Se precisarmos abrir dezenas de telas para entender a empresa, continuaremos presos a um modelo criado há mais de trinta anos.”
Embora ainda seja cedo para medir o impacto dessa abordagem, o movimento acompanha uma tendência crescente entre empresas de tecnologia: substituir interfaces tradicionais por modelos conversacionais e automatizar processos completos, e não apenas tarefas isoladas. Nesse cenário, a disputa entre plataformas corporativas tende a deixar de ser sobre quantidade de funcionalidades e passar a considerar o nível de autonomia que cada sistema consegue oferecer.
Se essa mudança se consolidar, a discussão sobre softwares de gestão poderá deixar de girar em torno da pergunta “quais recursos a plataforma possui?” para responder outra questão: quanto trabalho ela é capaz de realizar sozinha.